Adalgisa agarra
Serej pelo braço e a leva até o banco do psicanalista.
As duas Sentam-se no banco situado no palco e estão no consultório.
Liebe é a terapeuta dormindo, Serej representa alguém
lá lendo revistas. Leitura estroncha de títulos absurdos
tirados das manchetes locais.
Agora eu já
não consigo mais mesmo saber por que que eu vim aqui. Ah, porque
eu não consigo me livrar daquele meu marido, aquele drogadito, cocainômano,
junk. E ainda por cima caio de fraqueza pelo vagabundo e ainda acabo dando
pra ele. Não consigo me livrar daquela peste. Se ele é ruim.
Aquilo já virou pó. Tu não imagina mais. É
tanto que ele mesmo já virou pó. Tu não destingue
mais quem é ele, que é a droga.
Se o seu filho é
só maconheiro a senhora precisava ver o meu marido. maconha pra
ele é mato. Ele come bolo de maconha, toma cerveja, fuma inveteradamente,
agora ate roupa de maconha ele tem. Isso eu nem ligo mais, e o pó
da cocaína já acostumei. Ai pra acalmar da cocaína
ele usa heroína, pra acabar com o peru frio ele usa mescalina. Usa
êxtase pra sorrir, ácido prá rezar, cachaça
prá dançar. é tanta loucura que agora o barato dele
é se drogar com coisa que não da barato. então de
repente pego ele cheirando a parede ou aplicando sopa nas veias. E eu o
que que eu faço? Eu sou uma idiota que ainda dou pra ele e tenho
que vir aqui nesta porra de analista? ficar 3 horas nesta sala conversando
com vocês, suas imbecis, que vem ao analista com o cachorrinho. por
que vocês trazem, cachorrinho prô analista? e essa porra desse
homem, hein? eu vou ficar aqui porra nenhuma. eu já sei o
que fazer. o analista só serve pra justificar minha idiotice, eu
sei muito bem o que fazer. eu vou pra casa e dar um chute na bunda deste
pilantra e mostrar pra ele que se ele quer se drogar o resto da vida, não
fazer mais nada ele que vá morar com a mamaezinha dele, aquela generala
filantrópica, amestradora de pulgas filosóficas, antro de
amor descarnado. ele vai ver quem é o homem da casa, cornudo...
vou dizer pra ele pra quem que eu dei todos esses nossos anos de casados.
Aquela nossa casa
na armação nunca ficou pronta porque eu dava tudo dia prô
pedreiros. e tu trocavas de pedreiro toda as semanas, mas eles sempre voltavam.
Voltavam pra trabalhar de graça. de hora em hora eu ia lá
pra dar uma metidinha. deixavam eles chuparem o meu pau ate se cansarem.
e depois enfiavam o deles na minha buceta quando se cansavam de enfiar
o pau enfiavam de tudo que viam pela frente. o carrinho de mão,
enxadas, pás.
Aí eu ía
prá casa e fazia a higiene na nossa suíte. Era como parir
todas as tardes. Parir material de construção. Todas às
vezes que entravas lá, perguntavas se estávamos reformando-a.
Por causa de todas aqueles apetrechos que encontravas. Mas eu tirava tudo
da buceta e nem percebias. lembra que a casa da armação nunca
ficava pronta? cada vez mais contratavas pedreiros e era preciso novamente
comprar mais ferramentas.
É que quando a casa
estava quase pronta eles desmanchavam e começavam tudo de novo,
só pra me comerem. enfiarem em mim caralhos, baldes, cimento, ferraria,
pás, faziam da minha vagina uma betoneira. tu fostes a falência,
com uma obra interminável com 32000 trabalhadores e eu fiz da nossa
suíte uma rede de materiais de construção, a B C T
. Só assim pude viver, pois nunca me destes um tostão, quando
te recolhestes falido prás ilhas virgens.
(...)